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Curiosidade Mórbita
04.06.2010 | Categoria:
È interessante constatar em nossa sociedade o poder fascinante da informação, da curiosidade. Todo mundo quer saber de tudo.
Vivemos a era da informação quase que imediata, a comunicação está mais acessível e facilitada. Muito bom, parabéns ao homem do século XXI! Parabéns para todos nós! Mas informação não é formação. Temos “cérebros inchados” de notícias, mas não temos tempo para analisá-las, compreende-las, e assim fazer-mos a devida conjuctura, ou seja, o assentamento e assimilação dessas informações para que elas nos formem a opinião e a nossa própria visão de mundo (cosmo visão).
Tomemos em consideração fatos atuais na mídia brasileira. Os meios de comunicação social deste país, estão “viciados” em certas notícias. Só ouvimos falar do caso Isabela, e do padre balonista, e enquanto estamos ocupados demais com essas manchetes, ninguém sabe, por exemplo, os projetos de leis que estão tramitando no Senado. Existe sem dúvida uma manipulação das massas, do grande público, com fins nada éticos. É a velha política romana do pão e circo.
Pagamos um preço muito caro, por esta “sede de informação”. Por esta curiosidade mórbida. O que nós temos a ver com a vida pessoal das pessoas? Se o Ronaldinho, fez isto ou aquilo? Se saiu com não sei quem, o problema é dele! Saber disso não vai mudar o mundo, nem fazer nossas vidas melhores!
Podemos constatar esta curiosidade inútil e baixa, quando, por exemplo, acontece um acidente de trânsito. Nenhum dos presentes é para-médico, ninguém toca no acidentado, e nem deve, mas todos param para contemplar o sangue e a desgraça alheia como a um divertimento pitoresco! Em minutos uma legião de curiosos, desocupados, de “urubus” se juntam para apreciar a carnificina e a infelicidade de um desconhecido. Pasmem!Não o fazem por piedade, mas meramente para satisfação de sua curiosidade, aquela sede insaciável de informação: “Como foi?”, “Quem foi o culpado?”, “Está morto?”.
Pessoas sem escrúpulos, espectadores assíduos d coisas inúteis. Temos ainda uma involução mais degradante desta classe de curiosos: o fofoqueiro, cuja ocupação preferida é a vida do vizinho, não que tenha interesse de ajudar em algum aspecto, mas dispor, ridicularizar, denegrir e manchar publicamente a honra do outro. Numa análise mais profunda a tentação que o fofoqueiro sofre e que geralmente o vence vai contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas, porque o dito, se sente um “pequeno deus” quando se esbalda a dilacerar a vida do outro. Julga, sentencia, sanciona e avalia.
Tem em si uma falsa sensação de superioridade que raras vezes encontra em outra dimensão de sua vida, seja profissional ou mesmo religiosa, um “deus” medíocre. È a tão antiga tentação do Gênises na fala da serpente, “Deus sabe que no dia em que vocês comerem do fruto, os seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal”(Gn 3,5).
O calvário dos dias de hoje onde são crucificadas milhares de pessoas, não fica muito longe, se encontra entre o maxilar superior e o inferior: a nossa língua. O dia em que pararmos de nos ocupar da vida dos outros, talvez tenhamos mais tempo para resolvermos a nossa.
Padre Márcio Magno Pinotti
Artigo imprimido de: Paróquia São Paulo Apóstolo
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